domingo, 29 de agosto de 2010

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"Para exprimir sentimentos não é nececessário fazer uso de palavras complexas, utilizar metáforas ou até mesmo fazer uso do tão temida ironia.
Felicidade, amor, saudade e até mesmo ódio são sentimentos que merecem ser tratados com respeito e não só, mas simplicidade.''


Era uma tarde de Outono. As folhas caiam na janela do quarto de Clarice. Ela lia um livro de romance. Romances em geral lhe agradavam, era uma moça apaixonada. Mas, nunca conhcera o amor de sua vida. Sonhava com este momento. E esperava pelo amor.
Virava as páginas de seu livro com sede de saber o final daquela história que tanto lhe chamou atenção. Já não tinha tempo para as tarefas a uma semana, pois dedicava a maior parte de seu tempo ao livro. A história realmente era fascinante.  E naquela tarde de outono ela estava lendo o tão esperado último cápitulo. Lia cuidadosamente cada página e ficava encantada com cada parágrafo. Até que chegou a última página e leu o último parágrafo, esse último paragrafo a deixara com uma ponta de remorso. Ele dizia : " [...]Enquanto Catarina chorava, lia e se entregava a solidão, o amor de sua vida partia para nunca mais voltar. Ela esperava o amor, e ele, o amor, esperava por Catarina. Mas ela não percebera isto a tempo de trata-lo com a simplicidade que ele necessitava e merecia. Por este motivo, Catarina morreria sozinha."
Clarice fechou o livro, foi até a janela e começou a pensar...


[Patrícia Vidão]

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Silêncio.

Estava sozinha, não tinha tanto tempo assim. Nem sentia a falta de um certo alguem ao seu lado.
Os ultimos que estiveram ao seu lado não deixaram nada além de feridas. Feridas essas que não curavam com o tempo. E todos ao redor pensavam que sorrisos recheados de sarcasmo e com pontas de ironia iria tira-la do sofrimento e romper com a dor.
Nada disso era útil. 
Quantos sorrisos cheios de amor ela disperdiçou ? Quantos abraços com ternura ela deu em vão ? Ninguém pensava nisso ? 

Era de fato necessário sorrir quando o melhor remédio é trancar-se no quarto com seu café e seus pensamentos ?
Ela acreditava que nada melhor que o silêncio e o vazio para cura-la. E decidiu que o melhor era recolher-se quem sabe por um tempo, quem sabe para sempre. E ficar longe de tudo que não a acrescentava.




[Patrícia Vidão]

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

treze

Estava descalça, sentia os pés congelarem ao caminhar. Era inverno.

Sexta 13. Levantou cedo para sair. Talvez não tivesse um trecho a seguir. Apenas quis sair.
Caminhou horas e horas em busca de algo.
Não levava nada consigo, apenas sua alma ferida.
O vento forte batia em seu rosto, os pés já estavam vermelhos e doloridos. Mas não, ela não queria parar. Estava fugindo? 
Eis a questão que nem ela saberia responder.
Sua alma estava ferida, seu coração em pedaços... Mas nada justificaria aquela atitude. 
Ela já sofrera por amor algumas vezes, mas nunca teve estas atitudes. 
Não, não era por amor.
Definitivamente não.
Ela caminhava sem destino para quem estava vendo. Para quem não a conhecia.
Mas ela sabia sim para onde ía e o que buscava com tanta pressa. E sabia a importância do que iria buscar.
Ela saiu para buscar sua felicidade e um gole de café.


[Patrícia Vidão]

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Quase.

A muito tempo eu me questiono sobre a minha existência. O porque de estar aqui. Quem eu sou.
Raramente encontro respostas. Afinal, tudo é muito relativo. 

Não entendo o sentido de amar e ser amado, o sentido de sorrir e depois chorar. O sentido de abraçar e depois ter desprezo. Só sei que na vida tudo é muito complexo, tudo muito misterioso. 
Enquanto isso, vou vivendo. Amando, chorando,sorrindo, abraçando e questionando.

E chego a conclusão de que sou um quase tudo. Ou um quase nada.

[Patrícia Vidão]

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Fragmento.

Os relógios marcavam três e cinquenta da manhã. O vento batia na janela levando a cortina e trazendo estrondos. Barulhos que chegavam a assustar-me. Levantei-me, caminhei até a janela, olhei para fora e tudo parecia normal para aquela hora, tudo vazio. Vazio esse que não era só na rua, na madrugada. Um vazio que era meu também.
Ao olhar para a rua e ver que ninguém, absolutamente ninguém estava lá fora, fiz um paralelo com minha vida. E vi que ninguém, absolutamente ninguém estava comigo. Eramos apenas nós. Eu, solidão e a rua. Eternamente vazias.


[Patrícia Vidão]

sábado, 17 de julho de 2010

Saturday

'Bom dia querido! Levante-se vamos sair, passear, viver!''
Assim acordou-me Alice naquela manhã ensolarada de sábado. Eu estava confuso, pois Alice jamais me acordou numa manhã de sábado convidando-me para passear. Ela aparentava tanta felicidade que não ousei dizer não.
Levantei-me meio desnorteado e notei que ela já estava pronta como quem fosse passar o dia na rua, passeando como uma turista. Já segurava sua bolsa, óculos de sol e um grande chapeu. Não deixei de notar como ela estava linda. Uma beleza inexplicável. Que eu não havia notado antes. 
Saímos do nosso prédio e perguntei a ela onde íamos e ela com um sorriso lindo no rosto respondeu-me 'para onde o vento nos levar meu amor.', a princípio achei estranho, mas sabia que dentro daquela cabecinha havia uma rota pronta. Confiei em Alice, segurei sua mão e saímos pela cidade. 
Realmente o dia estava lindo como ela dissera, os pássaros da praça nos rodeavam, Alice a todo instante pedia que eu a fotografasse. Em cada parada centenas de fotografias. Essa foi mais uma coisa que achei estranho ora, ela nunca gostara tanto de fotografias. Não ousei questionar eu já ate imaginava sua resposta. 
Após tantos lugares visitados, tantas fotografias, tantos abraços e beijos. Paramos diante uma torre famosa de nossa cidade e observei Alice, ela aparentava cansaço porém não tirava aquele lindo sorriso da face.Brincava com os pássaros e dava 'cambalhotas' na grama, gritava meu nome chamando-me para participar daquele momento eu obviamente recusava. Em certo momento Alice aproximou-se de mim e não resisti, perguntei o por que de tanta euforia, tanta sede de viver. Ela fitou-me e disse 'Meu amor, o que você faria se hoje fosse seu último dia?'.




[Patrícia Vidão]

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Parágrafo.


Querido John,
Sentia imenso prazer ao te ver sorrir, ao sentir teu lábio tocar meu rosto, teus braços envolverem meu corpo com um abraço quente e recheado de desejo.
Estas eram as sensações que eu tinha ao ter você ao meu lado. Porém, os sentimentos e as sensações não eram recíprocas. Você estava ao meu lado apenas para caçoar de minha ingenuidade. Foi algo doloroso passar pelo que passei, entregar meus sentimentos mais sinceros a um alguém que sequer sabe o que é o amor. Alguém que jamais sentiu este sentimento tocar sua alma, envolver seu coração. Alguem que só Deus sabe se tem coração.
Mas minha alegria é imensa, a saber que com a vida aprendemos. E se essa foi a minha vez, a sua chegará, sem aviso virá. 

Abraços, sua Jane. 



[Patrícia Vidão]