sábado, 21 de julho de 2012
Ímpares
Tudo bem, se você quer assim, eu entendo. Pior seria se você não dissesse nada, não é? Olha, pode levar os livros, e tudo que você me presenteou também, sabe como é, eu jogaria tudo fora mesmo. Talvez você os aproveite. Não, não se preocupe, eu sobreviverei... Eu já estava preparada, na verdade. Não precisa me ligar, apaga meu nome da sua agenda. Se eu vou viver sem você? Ora, é claro que sim! Na verdade, existe uma linha tênue entre 'viver' e 'existir' e no entanto eu só existia, talvez agora eu viva. E você também... Somos ímpares demais para sermos um par, você não acha? Não me venha com essa preocupação agora, nunca foi assim... Talvez encontremos alguém que transforme essas lagartas mortas em nosso estômago em borboletas, um dia, quem sabe. Olha, pode levar tudo, deixe apenas eu e essas paredes brancas, eu não me incomodo. Juro. É eu sei que está chovendo, e sei que quando você fala sobre a chuva é porque quer tomar café, mas hoje não dá, desculpa. Na verdade nem hoje nem nunca mais. Bate a porta quando sair e se um dia pensar em voltar, toca a campainha para tentar entrar.
sábado, 23 de junho de 2012
Game over.
O problema foi que acreditei demais, vi algo onde não tinha nada (again). Quis colocar alma num corpo morto, quis colocar amor num lugar onde alguém já havia tirado, quis habitar um corpo onde já haviam conquistado e lamentavelmente abandonado. Terra desconhecida, corpo, âmago, ser inabitáveis. Sem permissão para entrada, mas no fundo queria que fizessemos de nós um, eu bem sei. Mas não adianta, corpo já moldado por um ser não cabe na minha fôrma. Nós nunca daríamos certo, eu sempre soube disso, mas me dispus a tentar, coloquei duas fichas na mesa e me propus a jogar, game over, perdi as fichas e voltei para casa de mãos abanando. Opa, eu conheço essa história já, tornou-se até piegas no meu roteiro de vida, peço até em minhas orações que Deus não torne-se autor da Globo e comece a escrever uma história diferente para mim, ainda há tempo e não tenho mais tanta pressa. Mas você... O que te fez dizer tudo aquilo em meus ouvidos? Truques do desejo? Olha, caí direitinho, cheguei até a acreditar que você tinha uma áurea boa, cheguei a pensar naquela história romântica que a pessoa torna-se completa quando encontra alguém extremamente diferente mas ao mesmo tempo igual, como pude acreditar nisso, né? Veja como essa coisa de romantismo estraga a gente, faz com que acreditemos em coisas tão supérfluas... Diferente dos outros, não vou desejar-te um feliz recomeço com quem você está agora, á você não desejo nada, absolutamente nada. Nem o bem nem o mau, só peço que seja um cara melhor, que não faça com todas o que fez. Torna-se demodè, ficar desejando o bem enquanto fico com os cacos na mão e uma cola barata para cola-los. Tenha maturidade compatível com sua idade, deixe seu corpo/alma/coração serem habitados por uma só pessoa, e que essa pessoa seja o que você espera. Encontre sua forma.
sábado, 2 de junho de 2012
The end
O momento não é propício para essa conversa, eu sei. Mas é o único momento que temos para conversar, ouça tudo o que eu tenho a dizer, só peço que fique em silêncio até que eu me silencie também... Não vou mendigar migalhas, não quero que você desista do seu sonho de ser alguém além das minhas quatro paredes de utopia, eu te deixo ser feliz, sem problema algum... Vou sentir uma falta imensa desse abraço, dos beijos e de tudo que te diz respeito, vou mesmo, mas quem sou eu para impedir você de ir? Assim como você não vai querer impedir meus sonhos, não vou impedir os teus. Não prometo esperar seu regresso, vou ficar vivendo por aqui, e deixo-te livre para viver o que tiver de ser vivido lá. Acaba por aqui, sem nenhum problema, só não somos mais um par, muito menos amigos. Não consigo, sabe?! É o fim da história, do meu conto de fadas e dos planos escritos num papel amarelo. Mas é a vida, e a vida, bom, ela continua. Com ou sem você.
sexta-feira, 25 de maio de 2012
Ao atoa
Eu nem sei porque estou escrevendo sobre você. Francamente. Até porque você não foi absolutamente nada. Quando digo NADA, é no sentido inteiro, puro e sincero da palavra. Nada além de beijos ardentes e palavras ao pé do ouvido. Diferente de algum outro? NÃO. Da mesma maneira que todos os que vieram antes, seguindo o clichê da sua 'raça', você disse que queria "só curtir". Vem cá, você sabe o quanto uma mulher se sente usada por ouvir/ler isso? Sério, olha nos meus olhos qualquer dia e me responde esse questionamento. Mas de antemão já te digo, todos que disseram que queriam "só curtir", voltaram. Arrependidos, com cara de cachorro-que-caiu-da-mudança. Juro, todos voltaram. Tão piegas, não acha? Olha, não pense que isso é uma maneira de elevar o meu ego, dizer que querendo ou não tudo que passa por mim gira o mundo mas cai aos meus pés...
Repito, não sei porque você martelou meus pensamentos, enfim...
Talvez seja porque eu saiba que você, fiel seguidor dos clichês masculinos não vai fugir á última cena do teatro de ridicularidades, você vai voltar. Mas não demora não. Afinal, produto vencido tem validade até para ser trocado.
Repito, não sei porque você martelou meus pensamentos, enfim...
Talvez seja porque eu saiba que você, fiel seguidor dos clichês masculinos não vai fugir á última cena do teatro de ridicularidades, você vai voltar. Mas não demora não. Afinal, produto vencido tem validade até para ser trocado.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Desculpas não adoçam meu café*
-Café? -Sim, dois.
-Açúcar ou adoçante?
Ele estava estonteante. O frio geralmente o deixava mais pálido e aqueles olhos -os meus olhos-, ficavam com uma cor diferente, que eu amava. Brasília nunca tivera um frio tão severo, a cidade estava completamente branca e seca. Assim como meu coração. Eu o deixava falar, não interrompi nem por um segundo, eu queria que ele falasse, queria ver o movimento dos seus lábios, queria ver como ele tocava os sachês de qualquer coisa que estava sob a mesa, como ficava irritado quando sentia que eu o olhava nos olhos fixamente... Eu apenas queria observa-lo. Ele pediu que me pronunciasse por duas vezes, mas ele me conhecia bem e sabia que nenhuma palavra sairía dos meus lábios enquanto ele não finalizasse seu miserável discurso. Discurso esse, carregado de erros, literalmente. O rapaz de olhos diferentes e pele pálida tinha consciência de que nada que ele falasse iria mudar minha decisão, mas humano que era decidiu tentar. Tentativa falha. Então ele decidiu dar sua última carta,
-Desculpa?!
-Desculpas não adoçam meu café.
*"Desculpas não adoçam meu café", é uma frase de uma grande amiga Thaís de Castro.
domingo, 13 de maio de 2012
Mère
Francamente, eu não te culpo por tudo que aconteceu. Não culpo ninguém. Até agradeço em certos momentos por tudo. Talvez se a vida não tivesse nos colocado este empecilho eu não fosse assim hoje. Sabe, eu cresci muito, e as coisas comigo funcionam de maneira diferente que com as pessoas que mantém uma base comum. Esse erro teu, fez com que eu criasse um perfil enigmático, que não consegue desabrochar nem tampouco dizer o que sinto aos demais humanos que me rodeiam. Eu poderia olhar nos teus olhos e dizer "Viu o que você fez?" mas não teria coragem. Quem sou eu para julgar-te? Olha, em dias assim, a ausência me dói três vezes mais, a falta foi superada, mas é que sou humana e mantenho um coração batendo dentro desta caixa e ele sente um vazio que por mais que dez outras mães surjam, ele continuará a aparecer nesses dias como hoje. Não quero que sinta-se feliz por eu estar expondo essa situação, por estar falando em você, entenda, isso não é um apelo de saudades é uma declaração de conformismo que pode ser até contraditória, mas o que não é contraditório quando está relacionado a você?.Bom, seja feliz, voe com o vento e encontre seu destino. Obrigada por ter me posto no mundo literalmente.
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Esperanças novinhas em folha*
Tenho passado por algumas transformações. O novo tem vindo com muita ânsia de ficar e tem gerado certo tormento em minha cabeça. Amo mudar, adoro essa coisa de estar em um lugar diferente a cada dia, de conhecer tudo de inédito que o mundo tem a me mostrar. Estou em um lugar completamente diferente do que imaginei, lidando com situações até inusitadas e estou tirando o que de melhor essa experiência tiver, queria que fosse 'para sempre', mas a vida já mostrou da pior maneira possível que para mim o 'para sempre' não existe. Estou confusa em meio a tantos pensamentos e mudanças, mas não perdi ainda minhas esperanças, e a cada dia tenho uma novinha em folha me esperando para (re)começar. O coração, bom, aprendeu a verdadeira função, bate cada vez mais valente e deixou o cérebro decidir o que é melhor para mim. Estou no ápice da minha alegria, ultimamente tenho tido tempo para contemplar o que de melhor a vida tem me dado, deixei inúmeras coisas/pessoas que nada me acrescentavam para trás e então tudo começou a caminhar. Ei vida, obrigada. Fique assim por mais tempo, por mais um segundo, deixe-me ser feliz, maybe this time, I'll be lucky.
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