sexta-feira, 6 de março de 2015

Depois da curva.¹

Hoje o céu está pesado. Hoje eu não queria ver ninguém. Hoje, especialmente hoje, eu queria estar sozinha. Trancada. Calada.
Mas a vida não para enquanto eu sofro. Sabe-se lá se é sofrimento mesmo.
 
Raiva. Isso, talvez seja raiva!
Raiva por não ter sido suficiente. Raiva por ter deixado ir. Raiva por ter dado oportunidade duas vezes. Sobretudo, raiva por ter dedicado Engenheiros do Hawaii...

Não, eu não aprendo. E talvez eu nunca aprenda a lidar com gente vazia, com gente ruim. Por isso eu sempre apanho.

"Cada um só dá aquilo que tem.", cansei de não receber nada.




terça-feira, 3 de março de 2015

Turbilhão

A vida é uma roda gigante que não para nenhum instante.
Se você acha que está com ânsia de vômito e precisa que ela desacelere para você poder acompanhar, amigo só te informo uma coisa, ela vai passar por cima de você.
 
A vida, o tempo, eles não param.
Por que você deveria parar?

Nos últimos meses tantas coisas me aconteceram que pensei que a minha roda gigante estava desenfreada. Me vi surtando, me vi fora de mim. E quando pensei que abanar a bandeira de SOS fosse fazer com que as coisas melhorassem ao menos um pouco, fui atropelada por meus atos. Todos os dias aprendemos algo novo, eis aqui uma frase célebre apesar de clichê. Aprendi com os últimos acontecimentos que pessoas são completamente indecifráveis. Que você nunca, nunquinha saberá o que está passando na cabeça da pessoa que está ao seu lado nem tampouco o que sente o coração dessa pessoa.
 Por muitas vezes fui rotulada como uma pessoa sem coração, fria. Mas ninguém nunquinha nessa vida me questionou quais são minhas aspirações de vida. As pessoas sabem seu nome e já acreditam conhecer toda a sua história, não é bem assim.
Agir com racionalidade, agir como ser humano faz de você diante a sociedade um monstro, uma pedra de gelo que toma decisões.
As pessoas te  julgam de qualquer forma. As pessoas são ressentidas. Tudo machuca, tudo dói. Ninguém aceita um não de bom grado. É difícil a cada dia ter de levantar e saber que tem uma massa ressentida que assim como a vida, não para te esperando atrás da porta.
Mas meu amigo, a vida não para.


Prefiro ser redundante a ser omissa, desculpe-me.
 
Todos os dias visto minha capa protetora e saio para o mundo para defender meus ideais, para alcançar meus objetivos, mesmo que a cada dia eu leve uma pancada, mesmo que todos os dias eu caia dez vezes, eu saio. Eu dou minha face para que a vida bata sem piedade. A dor estimula o crescimento. E olha amigo, eu já estou quase do tamanho da minha roda gigante, daqui a pouco ela vira enfeite na minha estante. Sabe por que?  Porque eu não tenho medo do que o mundo pensa sobre mim. Porque eu não canso de apanhar. Porque eu não ligo por ser rotulada.
 
Da vida e das pessoas caro amigo, não peço amor. Peço respeito.
 
 

 

 

domingo, 27 de julho de 2014

O caiçara, a carta e a caixa.

Eu poderia começar essa história com um belo "Era uma vez", mas não, prefiro começar com minha expressão preferida, "DEU RUIM". 
Sim, primeiro porque esta expressão define absolutamente o discorrer desta história e porque o vilão deste conto odiava a mesma. 

...


Eu já estava ciente de que isso seria uma cilada. Mas o que foi? Eu estava acostumada com ciladas, caras cafajestes que sempre iniciaram um papo comigo afim de um ponto final na cama. 
...
Mas o cafajeste em questão, o caiçara, tinha uma estratégia nova e desconhecida por algumas mulheres como eu. 
Ele começou falando sobre música, me encantou quando disse que amava Mallu Magalhães. Gente, que homem hétero confessa a uma mulher que está flertando que ama Mallu?? Citou O Teatro Mágico, Lenine e todo o acervo de músicas que eu costumava ouvir no trajeto casa-metrô-banco, banco-metrô-casa. Dias de conversa e então ele me questionou se eu gostava de chocolates e eu disse quem sim, questionou também se eu gostava de flores, (na verdade, eu odeio flores) e eu disse que sim. Mas estava tão dopada por meu remédio de dormir que tomo e dez minutos depois puft, morri que nem me liguei que este era um segundo passo para o caiçara metido a Don Juan. Dormi.
-Próximo.
- Oi, tudo bem?
-Ãn? O que você está fazendo aqui? (riso de canto de boca)
-Eu vim trazer um presentinho pra você.
Tira da bolsa que me fez confirmar mesmo que ele tinha um estilo caiçara uma flor e um  chocolate.
Ponto para o caiçara. Ele me ganhou.
Passei o dia atendendo clientes e fazendo empréstimos olhando para aquela flor e pensando "Agora vai!"
Tadinha, não sabia o que estava por vir. 
E então acreditávamos que daria certo. Comecei a me apaixonar e fazer burrada, dediquei minhas melhores músicas a ele e achava que as coisas eram tão mais lindas quando ele estava. Ele raramente esteve. Assistimos um jogo do Brasil juntos e foi cômico, eu não sabia agir diante toda a família dele, parecia que eu estava em piloto automático. Atividade concluída.
O caiçara sabia como brincar naquele jogo, eu já estava com todas as jogadas entregues, seria fácil ele concluir. 
-Tenho outro presente para você.
-Outro?
-Aham, só lê depois que eu estiver saído. 
-Tá. Eu também tenho um, toma.
Era um dvd do Lenine, um dos meus cantores preferidos. Mas vale ressaltar que não gastei um tostão do meu bolso nele, menos um ponto para mim. 
Quando abri minha bolsa para ver o que o caiçara tinha deixado lá vi um papel, era uma carta.
MEU DEUS, QUE COISA MAIS LINDA, QUEM MANDA CARTAS NOS DIAS DE HOJE?- pensei.
Na carta ele me chamava de ladra de sorrisos, ai que lindo. 
Eu estava tão na dele. Tão na dele que guardei a carta em uma caixa que só guardo coisas importantíssimas.

Uma semana após a carta e uma sequência assustadora de declarações, chegou o momento "temido".
-Eu não quero mais você.
-Como assim? Aconteceu alguma coisa?
-Não, eu só não quero mais você, estou conversando com outra pessoa.
-Tá, boa sorte.
-Tá.

Lá estava eu, na estação de metrô, com lágrimas nos olhos, o coração partido e com uma carta maldita guardada na minha caixa de coisas importantíssimas. 
Não deu certo com o caiçara. Ele foi só mais um, que deu ruim. 

quinta-feira, 3 de julho de 2014

Você vai lembrar.

E você disse que sabia o que estava fazendo conosco. Acreditei em suas palavras, entreguei meus segredos, a chave da casa e meu coração. Seria perfeito se fosse da forma que eu sonhava. Mas esse sonho precisava de duas pessoas sonhando, mãos dadas, corpos colados e corações com a mesma batida. O que você fez conosco? 
Nada. 
Como quem enjoa de um doce, você enjoou, empurrou o prato e disse "não quero mais!". 
Foi embora, bateu a porta. Me deixou ali, no chão. 
Não foi diferente. 
Mas eu pensei que você era diferente. 
Ledo engano. 
Não espero -nem quero- seu regresso. Você não sabe bem o que quer, se é que você quer algo. 
Entregue teus melhores beijos, teus abraços a alguém que como você não saiba bem o que quer, ou a alguém que seja acostumado a lidar com relações mornas. 
Você vai lembrar de mim. 
Não hoje. Não amanhã.
Um dia. 
Você vai lembrar de mim e questionar porque me deixou ali e decidiu partir. 

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Regressar

Aqui me tens de regresso. Venho com muitas histórias na bagagem, as malas estão pesadas e o coração vazio.
Um trago, dois, três. 
Silêncio.
Sentar-me-ei.
Contar-te-ei tudo o que aconteceu, sem pausas. Mas se cansar de ouvir-me, diga. Não durma, só diga que está cansado. 
...
A vida não foi nada sutil comigo neste tempo em que ausentei-me, bateu, apanhei. Procurei teu colo em todas as esquinas que passei, não encontrei. Enxerguei-me só e com um mundo nas costas. Mas é assim, não é? Viemos sós e sairemos sós desse grande jogo de tabuleiro.Vi tudo que poderia ter visto, conheci e provei tudo que a mim fora oferecido, pirei.  Mas ás vezes precisamos desse tipo lúdico de liberdade... 

Se tive outros amores?
Sim, os tive. Mas foi como se nunca os tivesse tido, não recordo o nome de um sequer. Não tenha ciúmes, tu estavas sempre guardado no meu coração, apesar dos inúmeros pesares, eu tinha ciencia que voltaria aos teus braços magros e desajeitados. 
...
Engraçado, tudo conspira ao teu favor, mesmo tu aí, nesse estado, me tens como uma tola aos teus pés. Alegrar-me-ia em demasia se conseguisse me responder, dizer ao menos "Entendo-te minha pequena, pegue suas malas, seus cigarros e vamos para a cama.", mas nem isso é possível, acho que tardei a chegar para salvar-te e ensinar-te a viver uma vida ao meu lado, tarde demais, não é? Ou não? 

Espere-me, em alguma esquina desse teu novo mundo, dessa vez não tardo a chegar.Prometo.



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Amigo

Eu sentia um bem inimaginável estando só, desconsiderava qualquer opinião que tentavam descer goela abaixo dizendo que era impossível viver sozinha, eu acreditava que era e assim eu pretendia levar a vida, só. Tentava encontrar a diversão e afogar mágoas em um copo de cerveja e noitadas, no outro dia estava pior. Afundando-me na utopia de que sozinha eu conseguiria enfrentar meus medos, meus fantasmas e me enfrentar também. Ledo era o meu engano. Eu nunca estive só. Todas as noites quando deitava com os olhos marejados de água, com o coração pequeno dentro do peito e uma vontade imensa de despejar meus sentimentos, pensamentos e desejos, alguém me ouvia, secava minhas lágrimas e me fazia dormir sem que eu percebesse. Por mais que eu acreditasse que estava só, eu NUNCA estive. Alguém muito especial cuidava de mim a todo tempo, me acalentava quando EU precisava, me ouvia quando meu desespero não emitia som algum. Alguém que me conhecia melhor que EU, alguém que sempre foi meu amigo e sempre provou tal amizade da maneira mais linda possível, alguém que sempre respeitou meu tempo e sabia que um dia eu iria aceitar que sozinha eu não conseguiria e iria aceitar sua companhia, alguém tão, mas tão maravilhoso que deu sua vida por mim! Esse alguém chama-se Jesus, o qual está presente em minha vida todo o tempo e cuida tão bem de mim que eu posso dizer todos os dias ao acordar que terei um dia maravilhoso porque Ele já cuidou de tudo. Dê sua mão a Ele é caminhem juntos, será a melhor escolha da sua vida.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Do que você é feito?




Hoje me deparei com uma situação um tanto peculiar, estava a caminho de um certo lugar e avistei um senhor de meia idade que estava acompanhado de uma criança, não sei o que havia naqueles dois que me prendeu tanto a atenção, me aproximei, e assim como quem não queria nada me pus a ouvir a conversa dos dois, a princípio pensei que seria algo do tipo "-O que você quer de natal, meu netinho?", mas me surpreendi quando o senhor perguntou ao pequeno garoto, "-Do que você é feito?", esperei do pequenino uma resposta compatível com sua idade/mentalidade, mas bom, hoje era o dia para que eu me surpreendesse, e o pequeno respondeu ao senhor, "- Sou feito de sonhos.". Arregalei meus olhos, abri meus lábios, fiquei estarrecida. Uma resposta tão simples, mas que dizia tanto. Vi os dois partirem e comecei a refletir, 'do que sou feita?'. Fui construída a partir de qual modelo? O que estou traçando para o meu futuro? O que por fim me compõe? A cabeça do ser humano é meio maluca, as vezes precisamos de situações que poderiam ser normais para torna-las reflexivas e fazer uma vistoria em nossa vida baseada numa filosofia de calçada. E foi isso o que aconteceu, fiz minha profunda reflexão e respondi ao 'eu' curioso que mantenho preso em mim que sou feita de sorrisos, abraços, momentos e pessoas, que são pequenas coisas que me compõe, que são coisas simples, e que assim como o pequenino, sou feita de sonhos... Sonhos estes de uma vida mais fácil, mais clara, com a verdade exposta, sem muito segredo. Sou feita de sonhos de uma vida com muitas vírgulas, muitas opções e completamente sem reticências. Por fim, sei que sou feita da leveza e sou feita de Deus.