sábado, 26 de junho de 2010

Lânguida face.

Estávamos no hospital. Tu deitado naquela cama, fraco, debilitado a poucos minutos de deixar-me para sempre. Eu estava convicta de que tu irias morrer. Que nós nunca mais seríamos um casal, que nunca mais sairiamos juntos a caminhar altas horas da noite. Por mais que eu soubesse de tudo isso parte de mim sofria calada e não queria deixa-lo ir de maneira alguma. Parte de mim lembrava de cada sorriso e de cada jura de amor feita num parque de grama verde, lembrava do "amar-te-ei eternamente" que me falavas todos os dias e eu jamais consegui dizer-te o mesmo. Recordei-me também do momento em que tu chegou molhado e deu-me um abraço quente e mais uma vez repetiu tua jura de amor,e eu só consegui dezer-te "saia já daqui!", recordo teus sorrisos compreensivos , teus abraços apertados, tuas palavras amigas e teus beijos quentes que com tanta frigidez eu evitava, mas que no fundo me dava um imenso prazer só que para não parecer tão sensível eu evitava retribui-los. Agora, é tarde demais estou aqui sentada em tua lápide segurando uma rosa que era tua preferida, usando o perfume que tu mais gostava e chorando por ti, o homem que mais amei e jamais disse "te amo" olhando nos olhos.
















[Patrícia Vidão]

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Eu poderia iniciar uma história falando do amor e de todos os meus sofriementos com este antes de conhece-lo de fato. Uma história clichê que começa pelo meio esconde fatos e sentimentos.
A história é a seguinte...
Eram dez da noite, estava frio. Estava sózinha. Decidi sair, ir tomar um café, encontrar pessoas. Mas que pessoas? não possuia amigos nem conhecia ninguém por ali. A única coisa que eu tinha era solidão.
Saí, eu e ela. Sentamos num banco da praça, olhamos o lago,e alí ficamos por muito tempo, foi então que comecei sentir um vazio, uma vontade de ter realmente alguém ao lado para me esquentar com um abraço afinal, a solidão acompanhava, e não só isso, ela também atrapalhava, machucava, dilacerava e a última coisa que ela faria comigo era me acalantar.Senti uma lágrima quente descer pelo meu rosto levemente passava-me uma sensação boa, uma esperança talvez, de saber que dentro de mim ainda batia um coração. Por mais machucado que ele estivesse ele ainda estava ali, ele ainda pulsava. O vento batia no meu rosto e me fazia lembrar tudo aquilo que eu passara.Todas as lágrimas iguais aquelas que derramei.Todos os abraços que sempre esperei e não recebi. Todos os sorrisos que sempre quis receber mas nunca foram destinados a mim.Cheguei a pensar então, que a solidão sempre esteve comigo. Mas tentei lembrar-me de todas as vezes que estive feliz, foi então que tentei por inúmeras vezes lembrar um momento em que me sentia bem, feliz, completa. Foi quando mais uma lágrima caiu e notei que até então não tinha momentos felizes, completos. Foi então que senti uma presença no lugar -era um homem- tinha uma aparência boa, vestia bons trajes e apresentou-se como amor. Deu-me a mão e convidou-me para sair para qualquer lugar longe dali. A solidão demonstrou total desgosto.Levantou-se e saiu caminhando para o nada. Eu ao vê-la saindo sem dizer nada senti certo medo afinal, ela havia me acompanhado por toda minha vida até aquele momento. Mas logo olhei para minha frente e ele ainda estava lá com sua mão estendida a minha espera. Olhei para os lados meio desconfiada e dei a mão. Levantei-me de mãos dadas a ele e saimos. Caminhando, juntos. Nós, eu e o amor. Foi então que descobri que apartir daquele momento eu não estaria mais sozinha. Poderiam faltar pessoas, mas ele sempre estaria comigo.








[Patrícia Vidão]

sábado, 19 de junho de 2010






"...sabe que o meu gostar por você chegou a ser amor pois se eu me comovia vendo você pois se eu acordava no meio da noite só pra ver você dormindo meu Deus como você me doía de vez em quando eu vou ficar esperando você numa tarde cinzenta de inverno bem no meio duma praça então os meus braços não vão ser suficientes pra abraçar você e a minha voz vai querer dizer tanta mas tanta coisa que eu vou ficar calada um tempo enorme só olhando você sem dizer nada só olhando e pensando meu Deus como você me dói de vez em quando"


 [ Caio Fernando Abreu ]

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Enfim. Cansei de pedir desculpa por quem eu sou. Cansei de ouvir de todo mundo como é que se trabalha, se ama, se permanece, se constrói. Eu tentei com todas as forças amar você e agora sofro com todas as forças pelo buraco que ficou entre o sofá e a planta e o meu coração. Você vai embora e eu vou voltar para as minhas manhãs com o iogurte que eu odeio mas que é a única coisa que passa pela garganta quando o dia tem que começar. Vou voltar para aqueles e-mails chatos de pessoas que eu odeio mas que pagam esse apartamento sem você. E ficar me perguntando de novo para quem mesmo eu tenho que ser porque só tem graça ser para alguém. E que se foda o amor próprio.
Você me disse e me olhou de formas terríveis mas o que sobrou colado em cada parte do dia e de mim é a maneira como você sorri levantando que nem criança o lábio superior direito e como eu gosto de você por isso e por tudo e mesmo quando é ruim e sempre quando é incrível e ainda e muito e por um bom tempo.


Trecho de Buraco- Tati Bernadi

quinta-feira, 27 de maio de 2010

terça-feira, 18 de maio de 2010

And Because Love Battles



(...)
And I in these lines say:
Like this I want you, love,
love, Like this I love you,
as you dress
and how your hair lifts up
and how your mouth smiles,
light as the water
of the spring upon the pure stones,
Like this I love you, beloved.

To bread I do not ask to teach me
but only not to lack during every day of life.
I don't know anything about light, from where
it comes nor where it goes,
I only want the light to light up,
I do not ask to the night
explanations,
I wait for it and it envelops me,
And so you, bread and light
And shadow are.

You came to my life
with what you were bringing,
made
of light and bread and shadow I expected you,
and Like this I need you,
Like this I love you,
and to those who want to hear tomorrow
that which I will not tell them, let them read it here,
and let them back off today because it is early
for these arguments.

Tomorrow we will only give them
a leaf of the tree of our love, a leaf
which will fall on the earth
like if it had been made by our lips
like a kiss which falls
from our invincible heights
to show the fire and the tenderness
of a true love.

-

I do not love you as if you were salt-rose, or topaz, or the arrow of carnations the fire shoots off. I love you as certain dark things are to be loved, in secret, between the shadow and the soul.

I love you as the plant that never blooms but carries in itself the light of hidden flowers; thanks to your love a certain solid fragrance, risen from the earth, lives darkly in my body.

I love you without knowing how, or when, or from where. I love you straightforwardly, without complexities or pride; so I love you because I know no other way than this: Where “I” does not exist, nor “You”, so close that your hand on my chest is my hand, so close that your eyes close as I fall asleep.